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Dra. Flávia especialista em Odontopediatria responde dúvidas sobre traumas na dentição de leite e/ou permanente

A frequência de lesões traumáticas que acometem as dentições de leite e permanente tem sido estudada e, os resultados evidenciam números muito elevados.

Alguns estudos demonstram que 1/3 dos pré-escolares e 1/4 das crianças e adolescentes em idade escolar, já sofreram traumatismo na dentição de leite e, também, na dentição permanente.

A seguir, confira a entrevista que realizei com a Dra. Flávia Isaia Vieira, especialista em Odontopediatria, onde ela responde as principais dúvidas dos Pais quando a criança sofre um trauma na dentição de leite e/ou permanente. 

 

1) Qual a idade que mais ocorre o traumatismo dentário
A idade que aponta os maiores índices de trauma dentário é entre 10 e 24 meses de idade. Essa faixa etária é mais acometida em função da criança iniciar seus primeiros movimentos independentes, sem a coordenação motora suficiente.

2) Quais as causas mais comuns? 
Quedas e colisões a objetos rígidos, principalmente, dentro da própria casa onde a criança vive. Além de outros ambientes de convívio social (parques, praças, escolas) são locais que podem ser propícios a batidas na boca.

3) Quais os dentes normalmente são mais vulneráveis em ser lesionados em um acidente? 
A grande maioria dos traumas ocorre na arcada superior, tanto na dentição de leite, quanto na dentição permanente. Os incisivos centrais superiores são os dentes mais acometidos (atingidos). E em muitas circunstâncias o impacto ocorre em mais de um dente. Isso se justifica porque as luxações, deslocamentos favorecem o envolvimento de vários dentes.

4) Quais os possíveis fatores predisponentes que podem facilitar a ocorrência de um traumatismo dentário?

- alterações oclusais presentes, como por exemplo, mordida aberta acentuada, overjet (distanciamento vestibulolingual entre incisivos superiores e inferiores);
- falta de um correto/adequado selamento labial — principalmente devido aos hábitos como o uso de chupeta, mamadeira, sucção de dedo e, a própria respiração bucal da criança;
- como um fator de saúde geral — a obesidade pode causar um maior desequilíbrio o que pode, proporcionar quedas mais frequentes.

O advento e maior acesso da população aos parques, piscinas, bicicletas, skates entre outros brinquedos sem as devidas medidas de segurança, demonstram uma alta prevalência de traumatismos em crianças e adolescentes. Ou seja, a dentição permanente também é muito acometida (atingida) em acidentes e batidas.

5) Quais medidas para evitar o trauma dentário posso realizar em minha casa? 
Podemos realizar medidas de proteção as quais podemos definir como medidas passivas ou ativas de proteção.

Como medidas de proteção passiva pode-se fazer o uso de proteção em casa, por meio de recursos aplicados aos objetos, que oferecem um maior risco. Protetores para quina de mesa, e para bordos de móveis.

Como proteção ativa temos o uso de artefatos, como o uso sempre de cinto de segurança e cadeiras próprias para o transporte e alimentação de crianças menores.

6) Aconteceu a batida na boca, como proceder? 
É importante e fundamental procurar um atendimento imediato, com profissional capacitado e de confiança, de caráter urgencial, para a avaliação do acidente ocorrido.

Os traumatismos dentários são os que causam maior impacto emocional e psicológico tanto para a criança, quanto para os pais. As medidas de exame do paciente são levadas a efeito logo após o traumatismo ter acontecido e, tem como objetivo determinar a extensão do dano causado.

Assim como, o acompanhamento após o acidente é fundamental, pois tem a finalidade de avaliar as alterações clínicas e/ou radiográficas que podem acometer e afetar a saúde dos dentes.

É importante também enfatizar que muitas vezes devido ao abalo emocional, a abordagem clínica pode ser difícil de ser executada logo após o acidente ter ocorrido.

No entanto, é imprescindível a procura imediata de um profissional, para se determinar os sinais e sintomas que mais urgentemente devem ser atendidos e, para posteriormente, a realização de um diagnóstico mais acurado, em um momento em que a situação física e emocional estejam mais estáveis.

7) Como os traumas dentários são classificados pelo profissional?
O prognóstico do tratamento de dentes que sofreram algum traumatismo depende de aspectos clínicos encontrados logo após o acidente, podendo variar desde fraturas coronárias, fraturas com exposição pulpar, fratura de tecido ósseo, entre outras classificações. E o fator tempo entre o acidente e o atendimento odontológico pode influenciar o prognóstico do caso.

8) Quais os aspectos que são avaliados após um trauma dentário? 
Quando o paciente procura atendimento logo após o traumatismo da dentição de leite ou permanente, a região encontra-se contaminada.

O primeiro passo no exame físico é limpar o rosto e a cavidade bucal do paciente. Essa limpeza tem como objetivo diminuir a contaminação e facilitar o diagnóstico. Além de acalmar a criança e os familiares, para assim permitir melhores condições de se examinar a região injuriada.

São realizados exames extrabucais também, tanto em tecidos moles, quanto nos tecidos duros, para avaliação de possíveis ferimentos, lacerações, fraturas ósseas.

9) A radiografia é importante após um trauma dentário?
Na maioria das circunstancias ela está presente e é solicitado ao longo também do acompanhamento pós traumatismo dentário.

Por meio da radiografia podemos determinar a extensão do dano ao dente e as estruturas associadas, além de também servir para comparação com os exames posteriores.

Na dentição de leite a radiografia é relevante para avaliar a presença, o grau e a direção do deslocamento do dente quando ocorre a sua movimentação; a presença ou não de fratura radicular; a importante relação com o dente permanente sucessor.

10) Que possíveis reações o dente de leite pode ter após um traumatismo?
As possíveis sequelas podem variar desde uma discreta alteração de cor da coroa até a perda do dente. Podem ocorrer também processos inflamatórios agudo ou crônico, reabsorção, aposição de tecidos duros e até necrose pulpar.

Assim é importante orientar e informar aos responsáveis, quanto a grande e importante necessidade de acompanhamento nos meses e anos, que se seguem ao trauma dentário.

11) Afinal, porque é importante tratar o dente de leite acometido por um acidente? 
O objetivo do tratamento e acompanhamento de dentes acometidos por acidentes, quedas, batidas, é permitir quando possível, o reparo periodontal e pulpar deste dente, além de se evitar danos ao germe do permanente em formação.

Desta forma, o tratamento imediato também é chamado de proservação ou follow up, ou seja, acompanhar, observar clínico e radiograficamente ao longo do tempo é a medida ideal em casos de traumatismo dentário.

Dra. Flávia Isaia Vieira | CRO SC 15.360.
Especialista e Mestre em Odontopediatria.

Confira o post que preparei sobre os 4 critérios na hora de escolher um dentista

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